Tiago Souza - Tecnologia, Riscos e Segurança

Descomplicando a auditoria: como auditar continuidade de negócios

Esta é uma série de posts de autoria do colega Walter Alexandre Reimberg Lopes chamada “Descomplicando a Auditoria”, com o objetivo de tratar alguns temas relacionados a Controles Internos e Auditoria Interna, de forma leve, bem-humorada e de fácil leitura, mas com conteúdo prático e compartilhamento de experiências, as quais o autor obteve nos quase 20 anos atuando no mercado corporativo de grandes corporações.

Agora é a vez de compartilhar um tema pouco debatido, mas de extrema relevância, principalmente em tempos de pandemia, vamos em frente descomplicar a auditoria em Gestão de Continuidade de Negócios.

Ah, e porque este tema é oportuno? Simples, estamos no meio de uma pandemia, ou seja, uma situação de crise, onde empresas foram obrigadas a migrar para um conceito de trabalho remoto, estando preparadas ou não. E veja bem, nesse caso, as empresas conseguiram migrar para o trabalho remoto, pois muitos de nós temos notebooks no trabalho, temos internet em casa, e até vi empresas enviando desktops, cadeiras, e um monte de itens para a casa das pessoas que estão fora dos escritórios, mas dependendo do tamanho e complexidade da crise instalada, esse tema pode quebrar empresas em caso de situações de emergências mais complexas ou grave.

Os Planos de Continuidade de Negócios

Falar de Gestão da Continuidade é bastante trágico, o sujeito precisa ser o “mensageiro do caos” para pensar em tudo que pode dar errado e traçar planos de contorno para essas situações adversas. Depois dos atentados de 11 de setembro no World Trade Center, o mundo dos profissionais de Gestão de Continuidade mudou de tom e riscos foram reestudados, empresas sumiram quando as torres ruíram, simplesmente porque ninguém nunca pensou que aquilo poderia acontecer.

Lembra do negócio de “mensageiro do caos”, como poderíamos prever isso? Mas o fato é que empresas tinhas seus serviços locais e “becapeados” na torre ao lado e com a queda das duas torres, simplesmente se perdeu todo o histórico da companhia (claro que se perdeu muito mais que isso naquele desastre da humanidade, morreram cerca de 3 mil pessoas, mas estou fazendo um paralelo para poder ilustrar como a Continuidade de uma empresa pode ser afetada).

Imagine que, em questão de minutos, sua empresa não sabe mais pra quem ela deve, quem deve pra ela, quem são seus clientes, quem são seus fornecedores, quem são seus funcionários etc. Afinal, o sistema e todas as informações viraram pó. Estima-se prejuízos de U$D 40 bilhões (dólares), somente naquele incidente.

Mas é isso, muito se aprendeu com a tragédia e o cenário de Gestão de Continuidade passou a ter mais relevância (sabe aquele negócio de colocar fechadura na porta, depois que ela é arrombada, é tipo isso). Nós, brasileiros, temos a vantagem de não sermos atacados por terroristas, e também não temos tantos riscos da natureza, como terremotos, maremotos, nevascas, etc.

Mas em resumo, diversas lições aprendidas foram tiradas desse evento: Excluído:

Em geral os PCNs são compostos por Planos auxiliares, tais como: (i) Plano de Contingência/Emergência; (ii) Plano de Gerenciamento de Crises (PAC); (iii) Plano de Recuperação de Desastres (DRP) e; (iv) Plano de Continuidade Operacional (PCO), com o objetivo de preparar a Companhia para atuação em situações adversas, visando restabelecer e/ou dar prosseguimento as atividades minimizando ao máximo os impactos e/ou respectivas perdas financeiras, com ações desenhadas para garantir a continuidade das atividades consideradas críticas à empresa, buscando reduzir os prejuízos operacionais.

Comumente os cenários previstos para um PCN, independente do fator causador da crise (atentado, terremoto, pandemia, alagamento, greves, etc.), sempre te levam a ter os seguintes problemas: (i) Indisponibilidade de Local; (ii) Indisponibilidade de Sistemas e; (iii) Indisponibilidade de Pessoal. É em cima destes cenários que vamos traçar nossa Auditoria.

Mas vamos auditar...

Mas enfim, depois deste briefing longo, como em toda boa auditoria você vai montar seu programa de trabalho e vou compartilhar o escopo que defini seguindo o padrão de “quebrar” sempre em 3 pilares: (i) Governança, (ii) Processos e controles e (iii) Sistemas de gestão e suporte, lá vamos nós:

Escopo Resumido

Estrutura de Governança

Controles e Processos

Sistemas de gestão e suporte

Bom, este assunto é extremamente necessário em dias atuais, e como todo auditor é multidisciplinar (ou como costumo dizer, "especialista em conhecimentos gerais"), o escopo que mencionei acima ajudará a ter um direcionador para avaliar a Gestão da Continuidade de Negócios da sua Companhia.

Lembrando que o PCN é como um seguro do seu carro, você faz e espera nunca utilizar, mas se faz uma porcaria, pode te dar muita dor de cabeça. .


. Pulicado originalmente no LinkedIn do Walter Alexandre Reimberg Lopes.

Conteúdo adaptado/modificado por Tiago Souza, com a devida autorização do autor.

Imagem do post: *mindandi *via freepik (banco de imagens)

#GCN #PCN #PCO #PRD #continuidade